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publicado em 15 Dez 2023

Palavras nómadas no blogue errosmeusmafortunamorardente

Uma leitura de Palavras Nómadas por Joaquim Margarido:

"Chegamos ao fim de “Palavras Nómadas” com a sensação de termos feito uma longa viagem. Exploratória, diversa, distinta, de abertura a novos lugares, a novas ideias, a novas formas de estar e ver o mundo. Feita por interposta pessoa, uma viagem que nos convida a vestir a pele da escritora, a abraçar o risco do desconhecido, a partir à aventura. De Montevideu a Londres, de Pequim a Varanasi, com âncora mais ou menos fixa em Macau, iremos perceber que são ilimitados os tons que cobrem esta nossa “bola colorida” e que é muito mais o que nos une que aquilo que nos separa. Conjunto de cinquenta crónicas, com um belíssimo prefácio de Onésimo Teotónio Almeida e uma nota final redigida pela autora, “Palavras Nómadas” faz-se de “mochila da memória” às costas, num assumir a deriva como forma de reconhecimento, reaprendizagem e readaptação a um mundo que pula e avança, que teima em escapar-nos. “Isto porque, inevitavelmente, os lugares mudam e nós também”.

(...)

Ler “Palavras Nómadas” é debruçar um olhar sobre nós próprios, tão carregado está o livro de memórias que reconhecemos como nossas, tantas as emoções convocadas, nas quais nos revemos e que abraçamos de forma particular." (...)

É Macau, com todos os mundos dentro do seu mundo. Mundos que Dora Nunes Gago tão bem sabe esculpir no mármore das palavras, tratando o improvável com ironia e carregando de humor a sua escrita (veja-se o que podemos sugerir a uma canção dos Xutos e Pontapés). Ao mesmo tempo, no meio de tanta azáfama, é capaz de se deitar furtivamente na relva, por companhia Haruki Murakami e o seu “Auto-retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo”. E quem diz Murakami, diz Orhan Pamuk ou Emily Dickinson, Garcia Marquez ou H. P. Lovecraft, V. S. Naipul ou Maria Ondina Braga, Camilo Pessanha ou Lídia Jorge. As boas companhias - leia-se, “os seus escritores de culto” - no mesmo plano do “Outro”, assim mesmo, com inicial maiúscula, o mesmo Outro que vem provar o quanto a cartografia do nosso mundo é desenhada pelo mapa dos afectos.

Dora Gago

Este é um espaço de viagem, cais de partida e de chegada, pela literatura, pela escrita, pelo mundo e pela vida.

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